sábado, 4 de fevereiro de 2012

AS MONTANHAS OU PEQUENAS DOSES HOMEOPÁTICAS CONTRA ACROFOBIA



È só uma questão de se adaptar a idéia de que quando você acorda a vida já passou um pouco e tudo de certa forma é estranho e adverso. Embora as fotos na tela do meu computador, não se amarelem, isso não quer dizer que o tempo não passe e nem que não existam cicatrizes expostas .
O tempo avançava totalmente alheio a nós e mesmo assim seguíamos, meus olhos carregados de despedidas e medo, porém via em seus olhos caminhos que nunca sonhei em seguir e isso fazia meus passos ganharem certezas. Caminhavamos para um mundo cada vez mais distante de onde nascemos. Em cada passo a certeza de que existe algum futuro. De que amanhã teremos tempo. De que ainda teremos sorte. Mas não importa o trajeto que pegássemos sabíamos que sempre haveria uma montanha a nossa frente, talvez o ato subir seja apenas uma sucessão de esforços sem sentido aparente. As cicatrizes em nossas peles poderiam ter sido evitadas se continuássemos parados, os galhos batendo em nossos rostos podem fazer nós não enxergamos a utilidade de cada planta , o vento corria entre nós de modo gélido e era dele que precisávamos nos abrigar. O vento vinha de longe e soprava na direção de lugares desconhecidos e era somente em nós que encontrávamos algum calor e nada viria de outro lugar se não de nós mesmos.
A montanha sempre será mais bonita enquanto houver ecos. Ecoar não é um estar só, é entregar o seu todo e receber de volta o que a geografia pode de oferecer e assim são as amizades. Não importa de onde tu grite, não importa a distancia, sempre escutaremos nossos ecos.
Às vezes estamos muito mais sós do que imaginávamos. Se tu olhar em volta, sempre haverá uma montanha um pouco maior. Por mais distante que ela possa estar. Por mais inteiro que esteja sempre haverá uma parte tua longe de ti. Pelo menos é assim que eu reconheço meus amigos. Uma parte minha longe de mim.
Sempre haverá em mim o temor de um precipício, mas é sempre mais fácil perder a dimensão quando, do outro lado do precipício, não há ninguém para indicar o caminho. Às vezes basta saber que não estou só para nada mais me assustar.

4 comentários:

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