segunda-feira, 29 de junho de 2009

A Casa


Mais uma vez desce as escadas para falar de ausências, tem medo e em dias curtos decide envelhecer no interior da casa. Ao sono conhece-o como fuga ao silêncio, um dia escreveu (era domingo) sobre os vestígios da respiração nos pequenos nadas
Anos depois refugia-se no outono como quem vê a vida toda nas folhas

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sobre o mar


O sono retirou-se de seu corpo e os tocos de cigarro sobre o copo de café nadavam como estrelas. Era a primeira manhã depois dele ter partido e sentia que os lençóis da cama eram como limos frios que se agarram a pele.
Andou até a rua arrastando a solidão pelo caminho, a cada passo ia desviando das ausências e sentia-se tornar-se translúcida, ao perceber que luz do sol atravessava seus dedos e que em seus olhos habitavam estrelas e o mar. Seu vestido evaporou-se e apenas o vento levava seu corpo pela paisagem.
Agora nos pés do mar, um corpo se liquefaz em fugazes anéis de espuma, não era mais só agora era um fluido universal..

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Greta Garbo


Gabi tinha um jeito estranho dormia com seu prozac sempre na mão, em seu apartamento eram encontrados louças e papiros encobertos pelas poeiras marcianas.
Trazia nos apertados em sua garganta de tantas perguntas por fazer, lançava seu sorriso mais potente para a solidão. Mostrava leveza em seus movimentos tétricos quase plásticos e inconstantes. Dançava sozinha no apartamento, de dias amarelos de fome, sonhos mortos e goles de liquido bacante
Amordaçava todos os sentimentos num canto qualquer de sua mente, e os deixava ali, enclausurados.
Eram 15 :00 horas quando fechou-se no banheiro, um esboço de sorriso passa em seu rosto, a gilete ainda em mão encontra nova razão enquanto friccionada ao mármore da banheira, vê sua imagem refletida na água da banheira como uma imagem do espelho mostrando por antônimos o que queria ter sido, apenas morar em seus sonhos.