segunda-feira, 7 de julho de 2008

DELIRIUM


o amor subtrai as regras
e quem precisa delas
são feitas de vidro e cristal
para encobrir disfarçar

as regras são viagens
gnomos na pastagem
o amor é uma miragem
perdida na paisagem
na rotina música na fumaça
que serve de argamassa
para construções sentimentais

para ver o sol brotar no cais
para colher maçãs no pomar
e sentar na varanda para relembrar

HOLOGRAMA


Cansei de declarar-me um romântico incurável, tudo tem remédio com exceção dos tédios e as dores de dissoluções amorosas. Enganei-me nas reticências do não-dito, supondo-o subentendido nas entrelinhas do tudo.
Você que deu cor a meus versos, deixe-me só e deixe que eu trague até a ultima gota minha dor sozinho dessa vida, que é um pêndulo que oscila entre o tédio e o sofrimento. Pensei que sua presença fosse à cessação de ambos, que tolo sou, estou cansado do amor que encanta meus olhos e ludibria meus sentimentos.
O chão atrai meus olhos voltados para o fracasso e para desejos inatingíveis, as chances esvaecem expulsas do paraíso onírico.
Mato-me aos poucos e me deparo com minha inútil fuga, pois sei que a solidão sempre me encontra e o desejo de ser sozinho não amar a ninguém, pois amor é asfalto sobre sonhos. Existo apenas pelo fato de haver.
Sua presença me fere de um jeito novo, ofereço a outra face. Deixar você me magoar é um jeito lícito de tê-la. Dói, mas foda-se. Ainda trago comigo sua imagem, atravessando a rua em minha direção, a camisa, os óculos com aro, o cabelo, os olhos cor de pistache de falsa de esperança como mel de esmeralda onde habitam infinitos e minúsculos. Você não me viu, nem sabia quem eu era, e eu me lembro que pensei Ela ainda não sabe quem sou, minha vida ainda não mudou. O gosto amargo na boca continua

Escarlate


Antes de mais nada, queria te agradecer pelas trufas deixas em cima da mesa pelo nosso aniversário de casamento, por isso hoje fiz teu prato favorito. Peço-te desculpas pois sei que você sempre achou que a cor escarlate não combinava com as paredes brancas do apartamento e peço que me perdoe por ter mexido naquela gaveta que você sempre pediu para que ficasse longe.
Hoje fiquei por um tempo a contemplar nosso retrato acalentando sonhos vãos, mas logo libertei meus olhos aflitos e me vi novamente pensando em pedaços de você e naquela cena vi seus maxiliar movendo-se em harmonia com a de outra. Era como se ambos mastigassem pedaços de meu coração.
Acho que era apenas isso que tinha pra te dizer e que o pudim esta na geladeira. Na boca não tenho mais nenhuma palavra, tenho apenas o gosto de trufas misturado á pólvora.