
Porto Alegre como todo o território gaúcho é mergulhado em suas tradições, essas tradições acabam entrando no inconsciente coletivo e muitas vezes as seguimos sem uma criticidade, exemplo disso é a semana farroupilha que comemoramos como se tratasse de uma revolução quando na verdade foi uma revolta de uma elite em busca de seus interesses, no entanto, a semana do vinte de setembro faz parte do calendário oficial da cidade e isso é muito natural e inevitável para nós. Na contemporaneidade mais dois eventos têm entrado no calendário oficial da capital gaúcha em fevereiro, além do carnaval, a temporada do Tangos & Tragédias e o aumento de passagens.
Esse aumento é sistemático e ocorre ano após ano, sempre em fevereiro, pois os empresários do transporte e a prefeitura aproveitam desse período de férias escolares para as escondidas e de forma rápida aplicarem os reajustes de passagem, nesse ano para R$ 2,70, dessa forma o salário mínimo aumentou 6%, o salário dos deputados 62% e a passagem 10 %, isso é tão incoerente quanto o modelo de transporte atual – que está longe de ser público, além do que esse aumento não converge em melhoria do serviço prestado ou renovação da frota de ônibus.
Esse aumento não fere somente nossos bolsos, mas também nosso direito de ir e vir, pois tanto as empresas como a prefeitura parecem entender que o transporte coletivo é apenas uma fonte de lucro, no entanto sabemos que isso não é verdade, pois o transporte coletivo é uma necessidade básica e diária da população que permite acesso a outros direitos fundamentais, como trabalho, saúde e educação.
Embora exista vários atos contra o aumento de tarifas do tranporte em várias cidades do Brasil, evidenciando o descontentamento da população com esses reajustes, aqui em Porto Alegre parece que somos domados pelo calendário oficial de fevereiro, dessa forma parece que a música copérnico do Tangos & Tragédias transpassa a Praça da Matriz e atinge todos os cidadãos e acabamos dançando o copérnico cidadão, onde você não pode mexer com a pernas, não pode mexer com as mãos, apenas balança a cabeça em sinal de indignação, dessa forma parece que a nossa Sbórnia é uma ilha de passividade estancada.
Não sei precisar em qual curva da historia nos tornamos tão omissos, talvez naquela década de tantas privatizações, tenham privatizado também nossa capacidade de revolta que empurra para mudanças.
0 pessoas acham o seguinte:
Postar um comentário