sexta-feira, 13 de julho de 2007

O Visitante


Quando percebi o relógio já marcava 02h00min da manhã e o filme já havia terminado não me recordo o nome sei que era sobre um cara gordinho que se apaixona por uma bailarina e a engravida enquanto ela estava em coma, levantei do sofá e certifiquei que já havia fechado as janelas, vedado vãos e tapado frestas de minha casa.
Troquei de roupa e fui dormir, pois amanhã seria mais um dia de uma rotina inglória que me acostumei acordar as 06h da manhã tomar banho, tomar café, dar oi para os vizinhos, pegar um ônibus, passar o cartão, ficar seis horas em um escritório, um cigarro, um café, voltar para casa e dormir, mas naquela noite não conseguia dormir mesmo certificando pela segunda vez que havia fechado bem a casa, ele imperceptivelmente conseguiu entrar em minha em casa mesmo com o breu que cobre meus olhos sinto que ele esta em meu quarto ouço o ruído de suas asas cantando uma música impreca que não conseguia compreender crescendo a tortura dentro de minha mente, quando o ruído cessa por alguns momentos acendo a luz e fixo os olhos na parede, mas não consigo distingui-lo entre tantos pôsteres, fotos e cores. Quando fechei a casa resolvi fugir da hostilidade e coisas torpes que há da porta pra lá o que de certa forma foi bastante fácil, pois não foi necessário muito esforço agora era só deitar e espera um novo dia. No inicio conservava lembranças de um antes e um depois, de um humano e um divino, do certo e do incerto tudo separado em partes cuidadosamente distintas. Depois que ele impôs sua presença em meu quarto, tudo se confundiu em uma só parte e me transformei nesta massa uniforme e compacta.
Com certa porfia ele conseguiu ultrapassar minha epiderme, invadindo meu imo, senti a brutal ardência de sua sede pela minha suma substância e sinto-o colocar outro líquido em minhas veias que flui de forma bruta e queimante e que vai atingindo todos meus órgãos até atingir meu estômago com uma força emética, vomito uma massa espessa e nela consigo distinguir coisas que há muito tempo tinha engolido minhas mentiras, revistas inúteis, meus vícios, TV, blockbusters, magoas e produtos de publicidade e me sinto muito mais leve e livre.
Ergo-me e a tudo em torno miro inda do desconforto perturbado, em que imergi e trêmulo pego uma vassoura chego a vê-lo voar circularmente sobre a minha cama, mas não consigo atingi-lo, pois não posso ir além do chão e me indaguei que deus criou tão insignificante ser, distraído para a morte ele pousa inerme e deixa sua existência em minhas mãos com um golpe certeiro acabei com a insistência desse mosquito em me deixar acordado, feliz poderei dormir sossegado e continuar minha improfícua vida acabara de matar minha consciência.

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